terça-feira, 14 de maio de 2019

Sagrado por Cassandra Mello

 

Fotos de Cassandra Mello da apresentação "Sagrado" ocorrida no dia 13 de maio de 2019 na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França.






















terça-feira, 7 de maio de 2019

Sagrado - Musical-manifesto sobre o 13 de maio no Rosário


Sagrado é um musical-manifesto dirigido por Tita Reis e Renato Gama que reflete sobre o dia 13 de maio de 1888, data oficial de assinatura da abolição da escravatura no Brasil. Interpretações cênicas e repertório musical são construídos a partir de documentos de época, poesia e prosa, evidenciando contribuições importantes do movimento de pressão social que desencadeou no fim do regime escravocrata. O musical-manifesto, entretanto, não deixa de observar a permanência da injustiça social e do racismo nos desafiando a enfrentá-los como problemas contemporâneos de responsabilidade de toda sociedade.

Repertório

Deolinda (Tita Reis)
Dona Isabel (Mestre Toni Vargas)
Caminho de São Benedito (Renato Gama)
Contas do Rosário (Tita Reis)
Sementes (Tita Reis)
Tempo Rei (Gilberto Gil)
Canção de Guerra “Bata-Kotô” (André Luis)
Caifazes (Renato Gama / Tita Reis)
A menina e a pedra (Tita Reis)
Cerimônia para o funeral de um negro (Paulo Rafael / Tita Reis)
Mamãe Oxum (Renato Gama / Debora Garcia)
Nossa Senhora do Rosário (Renato Gama)
Deixo e Levo (Renato Gama)

Ficha técnica:

Almir Rosa - atuação
André Luis – voz, flauta e gaitas
Cyda Baú- atuação
Giba Santana - percussão
Heloisa de Lima - Voz
Jhony Guima - percussão 
Léo Carvalho - bateria
Mariana Per - Voz
Renato Abanã – percussão
Renato Gama - Voz e violão
Ronaldo Gama – Baixo
Sisa Medeiros - percussão
Tita Reis Voz - Violão
Wanessa Tibúrcio – Voz

Participação especial das Pastoras do Rosário

Adriana Tadeu - camarim
Almir Rosa – iluminação
Altair dos Santos - produção
Cassandra Mello – filmagem
Ivoneide F. Chagas - camarim
Júlio Marcelino – produção
Kauê Gama - produção
Marcelo Henrique – road
Marcos Silva - técnico de som
Patrícia Freire - produção e material de divulgação
Valdir Alexandre - produção


Data 13 de maio de 2019 – 20:00
Local Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França
Largo do Rosário, s/n, Penha de França, São Paulo – SP

Realização

Sá Menina Produções
Movimento Cultural Penha
Comunidade do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Nasceu uma criança linda!!! Cordão da Dona Micaela 2019



O Cordão Carnavalesco Dona Micaela pelo segundo ano sai as ruas do bairro da Penha, zona leste de São Paulo durante o Carnaval de rua 2019. 
A saída ocorreu em 24 de fevereiro envolvendo a comunidade do bairro, amigos e integrantes dos coletivos: Comunidade do Rosário dos Homens Pretos da Penha, Sá Menina Produções e Movimento Cultural Penha. 
Além de um domingo ensolarado o Cordão ganhou de presente também a presença da bisneta da Dona Micaela: Dona Domingas das Dores Feliciano acompanhada de sua sobrinha Vilma Paula Barbosa e família, conectando o Cordão com a ancestralidade da homenageada. 
Um dia emocionante com estréia de percurso novo pelo bairro, novos tambores confeccionados pelo mestre Doca de Carmo do Cajuru - MG, músicas novas compostas por J. E. Tico, Ronaldo Gama e Renato Gama e o casal de dindos Luzia Rosa e Almir Rosa.
O Cordão abriu seus trabalhos com a forte performance de Edi Cardoso que encenou aos pés da Igreja do Rosário o nascimento de uma criança simbolizando a luta pelo parto humanizado. 
Em seguida a bateria Batucaela comandada pelo mestre Renato Gama foi benzida pelas tradicionais baianas Lara de Jesus e Solange "Majestade Sol".
O Cordão da Dona Micaela é uma ação cultural e política que vai além da folia e reflete sobre a valorização da vida, o cuidado com as crianças e mulheres gestantes, e o respeito aos conhecimentos tradicionais africanos e indígenas.

Agradecemos o apoio do Centro Cultural da Penha, Subprefeitura da Penha, CET, Polícia Militar, Ops Propagandas e Eventos, Guia Penha Online, Diarinho da Penha e Rádio Brasil de Fato.
Agradecimento especial também a Érica Catarina, Cassandra Mello, Grupo Ururay e Sem Cortes Filmes.

Confira as fotos de Douglas de Campos





















sábado, 23 de fevereiro de 2019

Nasceeeeu! Por partos e nascimentos livres!

Cordão da Dona Micaela na Penha - 2018
Foto: Osmar Moura

Antigamente o parto era um evento estritamente feminino e caseiro, as mulheres tinham seus filhos em casa, eram acompanhadas por parteiras e apoiadas por outras mulheres de sua confiança. A partir dos anos quarenta, começou a crescer a tendência à hospitalização dos partos, sendo que no final do século passado mais de 90% destes, eram realizados em ambiente hospitalar. O desenvolvimento industrial presente no seculo XX, influenciou muitos setores da atividade humana, e a saúde, no que se refere ao cuidado, acabou incorporando a racionalidade mecanicista. Por conveniência das instituições e dos profissionais, cesáreas são agendadas como linha de produção, e o nascimento passou a ter características de bem de consumo, quem pode, paga por um bom atendimento, quem não pode, fica ao sabor da própria sorte. O atendimento despersonalizante, incorporados pelos profissionais ainda mesmo durante sua formação, corrobora para processos de desumanização e violências , com maiores repercussões na vida das mulheres negras.  
(RATTNER D; Humanização na atenção a nascimentos e partos: breve referencial teórico- Comunicação Saúde Educação v.13, supl.1, p.595-602, 2009)

Nos últimos anos é crescente no Brasil o movimento de humanização do parto, que busca trazer boas práticas para a assistência obstétrica, baseadas em evidências científicas e no direito a autonomia das mulheres sobre seus próprios corpos.
Dentre os dados alarmantes relacionados à partos e nascimentos em nosso país, está o elevado número de cesarianas (55,5% em 2016, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é entre 10% e 15% -Ministério da Saúde) e também as inúmeras violências obstétricas. A prática de empurrar a barriga da mulher para o bebê nascer é um procedimento contraindicado pelo Ministério da Saúde, chamado Kristeller, que pode causar sérios danos às mulheres e bebês. A episiotomia de rotina, que é o corte na vagina da mulher e a privação de movimentação durante o trabalho de parto são exemplos dessas violências.

Outra violência ainda muito silenciada e negligenciada em nossa realidade, que acontece com algumas mulheres neste momento tão importante de suas vidas é o racismo.
Cor e raça determinam o modo como uma mulher é tratada nos serviços de saúde - e em muitos outros espaços da nossa sociedade. Mulheres negras são as que mais morrem de hemorragia pós-parto, são as que tem um menor número de consultas pré-natal, levam maior tempo para serem atendidas, e sofrem mais com as violências obstétricas. Este é o racismo institucional e estrutural, exposto por pesquisadores como Jurema Wernek (UFRJ) e Luis Eduardo Batista (ABRASCO). 

Na grande celebração de cultura popular de nosso país, o carnaval, que também traz em si forte herança da negritude, o Cordão da Micaela tem a honra de homenagear uma parteira negra, mulher da comunidade, de saber ancestral, e que aqui representa tantas outras mulheres, exemplos vivos, mulheres bravas, as que vieram antes de nós e as que aqui estão, na linha de frente das batalhas diárias, promovendo cuidado, acolhimento, garantia e defesa nossas vidas e a potente liberdade de nossos corpos pretos. E que possamos assim, como sementes, multiplicar as narrativas de tantas benzedeiras, parteiras, rezadeiras que criaram e criam a história que nos trouxe até aqui.
 Trazemos importantes bandeiras em nosso estandarte: vidas negras importam, respeito aos corpos das mulheres, por nascimentos livres de violência, respeito à nossa ancestralidade, liberdade e direitos!  Salve Dona Micaela!

Cláudia, porta-estandarte do Cordão Dona Micaela
Foto Osmar Moura

Autoras: Gabriela Barbosa e Edi Cardoso

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Quilombar por Claudia Rosalina Adão



A comunidade Rosário dos Homens Pretos se reúne, nesse primeiro domingo de novembro, em mais uma celebração, desta vez  para lembrar do mês da consciência negra e de Zumbi dos Palmares.
As pessoas que estão aqui, participantes dessa Comunidade, vivenciam a consciência negra todos os dias do ano, daí o risco de ser redundante e chover no molhado com esse texto, mas talvez pelo tempo que vivemos agora, seja importante falar de obviedades!
Vamos focar na palavra consciência. O que é ter consciência afinal?
Na definição do dicionário consciência é o "atributo pelo qual o homem pode conhecer e julgar a sua própria realidade, também é o cuidado pelo qual se cumpre um trabalho, um dever, senso de responsabilidade".
Podemos entender então que consciência é um dar-se conta de alguma coisa,conhecer,reconhecer,valorizar, saber o que existe.
No mês da consciência negra somos provocados a refletir sobre a contribuição dos negros para a construção do Brasil e o quanto esta contribuição ainda carece de valorização e reparação.
O povo negro com seus braços e sua cultura ajudou a formar este país,mas pouco desfruta e desfrutou do que ajudou a construir : em todos os indicadores sociais, é o segmento que está em maior desvantagem, são as principais vítimas da violência urbana, lideram o ranking dos que vivem em famílias consideradas pobres e dos que recebem os salários mais baixos do mercado, também estão entre os mais atingidos pelo desemprego, analfabetismo, defasagem e evasão escolar. O racismo estrutural, a concentração de poder e renda são elementos que ajudam a explicar tamanha desigualdade.
Tomar consciência disto não é meramente denunciar mas se comprometer com iniciativas que busquem a correção desta realidade.Vale lembrar a contribuição das entidades do movimento negro que ao cobrar políticas públicas para a população afro descendente, principalmente nas áreas de educação, saúde, meios de comunicação deu ainda mais visibilidade para este debate.
No início desse texto   eu disse que soava redundante falar de consciência negra para pessoas que a vivem todos os dias do ano . A retomada desta igreja, esta celebração, os encontros, reuniões e festejos realizados por esta comunidade são  exemplos de valorização da cultura negra e respeito à memória dos  nossos ancestrais.
Lembrar Zumbi neste espaço tem um significado ainda maior : Zumbi, líder do quilombo dos palmares foi o homem que materializou uma utopia, um lugar onde todas e todos, negros,brancos índios pudessem viver em liberdade,harmonia, partilhando o pão e partilhando a vida. Eu digo que ele materializou a utopia porque hoje ao celebrar o dia da consciência negra aqui na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, nós revivemos Palmares outra vez!
O quilombo pode acontecer aqui na missa do Rosário, mas também em manifestações na rua, em rodas de conversa com a sua família,  nos encontros com amigos e amigas; na sua atuação profissional, na cobrança por políticas de reparação, na sala de aula, na roda de samba, no terreiro, em qualquer lugar  exista gente disposta a lutar por justiça e um mundo melhor para todos e todas.
No entanto, você pode estar pensando... Destruíram Palmares e a nossa situação continua muito difícil, são tantos retrocessos,, poucos avanços, os indicadores sociais ainda demostram que mesmo após o término oficial da escravidão as injustiças permanecem. Desmantelamento das Políticas Públicas, manifestações explicitas de violência e racismo. Será que vale a pena lutar? Será que dá para mudar?
Pare agora,  por um minuto, olhe para o seu corpo, sinta a sua respiração. Pense em algum ancestral seu pode ser o pai, a mãe, os avós..... tente ir mais fundo... pense nos ancestrais deles....se entrar mais ainda  na sua imaginação, talvez você consiga visualizar as praias da Africa, os reinos, a terra de onde eles foram arrancados....porque aquele ancestral existiu e resistiu você de certa forma esta aqui hoje, com a oportunidade de escrever outra estória, nesse tempo, nessa terra, aqui , agora...um dia, você que também será ancestral, será lembrado pelos seus e deixará a sua contribuição.... Daí resistir não acaba sendo uma opção, mas uma condição de existência. 
O Pai Benedito tem uma frase bonita, ele diz que “Formigas juntas não morrem afogadas”, o que pode significar que não precisamos resistir sozinhos. Isso nos remete a pensar o quanto é necessário conhecer, reconhecer formas de atuação coletiva, para nos fortalecermos e termos folego para continuar resistindo e aprendendo. Juntos e juntas, não existe Rosário só de uma conta e nem quilombo só com 1 pessoa.
Alerta, Desperta, Cabeça erguida, mais do que nunca agora é tempo de quilombar!

Claudia Rosalina Adão


Celebração Afro brasileira - Especial Mês da Consciência Negra
Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França
4/11/2018

Fotos: Douglas de Campos

sábado, 9 de junho de 2018

Segunda semana da Festa do Rosário - Destaques


Continuando as atividades da 17ª Festa do Rosário, a segunda semana dos festejos começou com o Workshop sobre estética capilar, cuidados com os cabelos com a consultora em beleza afro-brasileira Marlei Madalena e uso dos turbantes e acessórios com Solange de Campos no dia 6 de junho no Centro Cultural da Penha. Ainda em fase experimental o workshop reuniu várias interessadas em conhecer melhor seus próprios cabelos de forma simples com enfoque não nos produtos de mercado, mas sim no conhecimento das características do cabelo natural, seja os de raízes mais fechadas ou mais abertas. Solange trouxe a importância das amarrações nas produções e estimulou que as participantes criassem seu próprio turbante.





Já no dia 7 de junho, no Teatro Martins Penna estreou a Mostra Raízes da Música Brasileira, projeto que tem a curadoria de Bruno Baronetti que exibiu o documentário "Seu Minervino e a Viola Caipira" Dir. Pedro Dacosta Lyra (2005). O documentário apresentou o trabalho complexo e fascinante de luthier do senhor Minervino de São Francisco - MG, que mantêm viva o conhecimento da construção de violas caipiras e rabecas, referência no Brasil inteiro. Em seguida houve a apresentação do grupo “O SOM DAS DEZ”, com participação especial de Escurinho (Banda do Programa Viola Minha Viola da TV Cultura). O grupo com trio de violas caipiras mesclou canções autorais com clássicos da música brasileira.




Sexta-feira, dia 8 de junho, foi a vez do povo cair no samba com a Comunidade Roda de Samba do Largo do Rosário, se apresentando no Teatro Flávio Império, Cangaíba. O grupo apresentou repertório conhecido de músicas autorais ganhadoras do projeto Samba do Mês e animou o público com sambas consagrados fechando a noite com "Filhos de Zumbi", música dos compositores Ademir da Silva, Jayme Trigueiro e Luciano Ribeiro.





Fotos de Altair, Carlos Eduardo e Patricia Freire

O arraial acabou! é mentira! é parafraseando as frases que animam as quadrilhas das festas juninas que destacamos a atividade do Balé Popular Cordão da Terra com a apresentação do espetáculo "Casamento Caipira" reunindo as linguagens do teatro, do ritmo da Catira paulista e a da quadrilha típica junina. A atividade ocorreu no sábado dia 9 de junho na escola pública estadual Santos Dumont, escola centenária do bairro da Penha, que anualmente desenvolve a Festa Junina com a comunidade escolar. A iniciativa de realizar festas juninas são cada vez mais raras em escolas públicas da periferia de São Paulo, sendo a festa da Escola Santos Dumont uma resistência da cultura popular caipira paulista, mesmo entremeada por outras referências estéticas ou temáticas como o country e o tema da copa do mundo de futebol. Assim a apresentação do Balé Popular Cordão da Terra trouxe ao público presente a oportunidade de brincar os festejos juninos de forma lúdica, dinâmica e com muita troca entre pais e filhos. Confira as fotos:





Fotos Nayara Rodrigues

E para fechar com chave de ouro tivemos a apresentação das Pastoras do Rosário na Comedoria do SESC Belenzinho. As Pastoras do Rosário trouxeram toda sua beleza e axé com repertório de músicas de Maria Carolina de Jesus, Dona Ivone Lara, Renato e Ronaldo Gama e Tita Reis. Acompanhadas dos músicos: Jhony Guima, Giba Santana Jet, Katatal Felipe, Ronaldo Gama, Leo Carvalho, Si Sa Medeiros e com participação especial de Carol Nascimento e Tita Reis.






Fotos: Júnior Pacheco


#FomentoCulturaDaPeriferiaEd1